Capitulo I - Relatório 37

Meu Deus, não deixe perder minha lucidez.

Nunca pensei que estaria um dia escrevendo algo assim em um relatório. Mas não importa mais, já que não sei se alguém ira ler isso um dia.
No entanto não posso deixar que tudo que nos ocorreu durante esses últimos dois meses fossem em vão. Vidas se perderam, cidades caíram, todos os lugares que o governo nos disse ser seguros já não passam de campos minados.

- Ainda bem que isso não passa de um rascunho – acabei falando em tom alto para mim mesmo.
Olhei varias vezes para aquela pagina antes de arrancá-la de minha ata. Então assim após retomar o ar que faltava um pouco naquele momento, retornei a começar escrever, mas agora na maneira padrão, como deve ser.

Relatório de numero 37.

Décimo sétimo dia de Setembro de 2009,

Agente especial Henrique Crysher

Minha localização, desconhecida.

Somos apenas sete agora, perdemos dois companheiros desde o ultimo relatório. A situação continua critica no momento me encontro em um posto de gasolina abandonado que transformamos em refugio, nosso veiculo esta com problemas no motor, e não tenho noção de como concertá-lo, por isso estamos continuamos sem poder passar dos 80 km/h.

O ultimo contato com Brian foi exatas 17h, quando nos separamos no desvio da rodovia, desde então a comunicação se mantém nula.

Estamos indo em direção ao 14° ponto de refugiados o “Iron Gates” em Nevada, o governo colocou em ondas curtas de radio varias localizações de abrigos em todos os estados e esse será nossa terceira tentativa e a ultima, já que nossa gasolina não durara por muito mais. Acredito que estaremos chegando ao destino em apenas mais um dia de viagem.

Termino desse relatório às 23h e 18.

Ao fechar o pequeno caderno de relatórios procuro uma maneira mais cômoda de se recostar na dura cadeira giratória que se encontra no pequeno escritório desse posto abandonado. Olhando em volta não há nada demais no local há não ser a fácil identificação que esse é mais um cenário de quem saiu às presas. Folhas ao chão, gavetas reviradas, um pequeno cofre arrombado cuja tranca foi estourada a tiros.

-Acho que já estou me acostumando com isso – disse comigo mesmo.

O cansaço era tanto que minha vontade era de deitar ali mesmo no chão e dormir, mas sei bem que ainda há reparos a fazer no carro e recontar a munição.

- Certo. Quantos antes melhor, alem disso preci.. – antes mesmo de completar a frase a porta da pequena sala abriu-se rapidamente e por ela a passos rápidos entrou Taylor a legista mais excepcional que já se ouviu falar, e para mim, o único rosto familiar que me restou.

- Henrique. Temos problemas – disse ela com a expressão mais seria que o normal.

- O que aconteceu? - já esperando ouvir o pior começava a retirando do meu cinto a 9mm com capacidade customizada de 23 balas.

- A garota que encontramos na cabana, a pressão dela esta baixando, e aos pouco ela perde a lucidez, disse para ela se acalmar e deixar que eu cuide do ferimento, mas ela se recusa. Ela insistiu que quer falar com você.

A garota que Taylor se referia era Alissa Bosch, tinha 24 anos, e foi a ultima a entrar em nosso grupo, há dois dias a encontramos sozinha em um conjunto de chácaras na divisa do estado, ela afirmou que estava à espera do namorado que não retornou e ao tentar procurá-lo foi atacada por cães. Que segundo ela estavam a destroçar e mastigar pedaços de outros animais.

Por sorte ela conseguiu retornar a velha casa no meio da campina, mas foi inevitável não ser mordida abaixo da panturrilha esquerda.

E para piorar a situação, o ferimento piorou rapidamente, e o que era uma mordida se tornou uma espécie de feriada gangrenada e cheia de pús. Com o medicamento que temos tentamos fazer sua febre baixar ate chegarmos ao abrigo, mas no fundo, mesmo com toda a convicção que meu objetivo era salvar o maximo de vidas possíveis, eu saberia qual seria fim disso, pois já tinha visto outros antes dela, já havia presenciado a mutação que essa “doença” alcança em seu ultimo estagio. E também sabia que não existia uma cura, a não ser a morte.

Com a arma de volta ao cinto, passamos rapidamente pela entrada e corremos ao pequeno cômodo que deveria servir como garagem. Ali estavam a as outras pessoas do grupo.

O policial rodoviário Alan, a paramédica Paula, a dona de casa Bertha e seu filho Carlos e Alissa deitada em uma cama improvisada feita de toalhas e cobertores.

- Ela se recusa a me deixar aplicar a injeção nela Taylor. – afirmou Paula com tom preocupado.

Ao olhar o estado critico que a jovem se encontrava, tentei repreende-la sem tirar suas esperanças.

- Alissa, você sabe que precisamos evitar que sua pressão continue caindo, se não você não terá forças. Temos mais um longo dia de viagem – completei com o tom mais brando possível.

Mas para a surpresa de Taylor e a minha ela já parecia saber o que estava pra acontecer. E com um tom sarcástico na voz disse:

- Vocês não podem gastar tanto comigo, sei que isso não vai bastar por muito tempo, já não sinto minhas pernas Henrique.

Ao terminar a frase Alissa solta um repentino suspiro fundo e doloroso, e morde fortemente os lábios para evitar gritar de dor.

- Me ajude a levantar. Por favor, quero sentar.
Com todo cuidado possível, há ajudei a erguer o tronco de forma que ficasse encostada na parede. E antes que eu pudesse pensar em algo para falar já havia percebido o motivo do espanto e a preocupação de todos ali, a garota que ate horas antes, tinha longos cabelos cacheados olhos penetrantes e uma saúde de ferro agora parecia que o tempo a castigava.

Seus olhos estavam com um tom amarelado, sua pele estava áspera e ressecada, os lábios já não tinha mais cor e o ferimento escureceu quase toda a parte da perna sem mencionar o cheiro de algo realmente em estado de putrefação.

- Conte para nos senhor Henrique, o que esta acontecendo. Eu tenho o direito de sabe, todos nos temos. Não me deixe morrer sem saber pelo menos o que foi que aconteceu com as pessoas, e quem é o responsável por isso – terminando com dificuldades sua frase olhando fundo nos meus olhos.

- Concordo com isso. – afirmou Alan que aproveita o silencio no local para continuar,

- Antes de encontrar vocês eu vi com meus próprios olhos varias coisas que jamais consegui imaginar, mas como estávamos fora dos limites da cidade à comunicação sempre chegou com falhas e no final das contas, me sinto como uma isca – falou em tom baixo enquanto recarregava uma espingarda de caça.

- Eu me sinto assim também. Se me permite interromper – disse a dona de casa que por ironia do destino saiu de férias com o filho rumo ao litoral, mas jamais chegou a seu destino, mas graças a ela conseguimos um veiculo para chegar ate aqui.

Eu esperava não ter que contar nada a ninguém, não que eu soubesse de muitas coisas, mas como os oficiais sempre estão cientes das operações do governo americano, era normal que eu soubesse um pouco a mais que os civis, mas para sua própria segurança existiam alguns detalhes que não deveriam ser revelados.

Respirei fundo pensando muito bem em casa palavra que estava p restes a dizer, Taylor olhava fixada mente para mim, como se ela soubesse que aquele fardo de ter que contar que o inicio de todo o fim de milhares de vidas seria algo que carregaria para sempre.

- Eu não sei de todos os detalhes, pois não houve tempo após o tumulto em San Diego. O tumulto tomou conta da cidade que rapidamente foi isolada por ordem do ministério da saúde com provação do presidente.

Como minha sede fica em Sacramento, fomos os primeiros, a saber, que poderia ter acontecido um atentado terrorista ou risco biológico, mas pouco poderia ser feito, já que tínhamos que esperar as notificações do governo para agir.

- Risco biológico. Como assim? – Perguntou Paula.
Nesse momento Taylor que é a expert no assunto explica com um pouco há mais de clareza.

- Toda e qualquer substancia ou organismo que pode trazer risco a vida humana, animal é considerado um risco biológico. Esse órgão trabalha em conjunto com a ONU e possui unidades em diversos países que são conhecidos por utilizar desses conhecimentos para criação de curas para doenças, medicamentos e pesquisas. Quando algo sai do controle, eles são os primeiros, a saber, e agir.

- As pessoas estão os chamandoeles de zumbis – diz Carlos enquanto olhava para todos com uma expressão preocupada ao desviar o já triste olhar para sua mãe continuou.

-Eu vi quando atacaram os carros na rodovia, eles mordem as pessoas, eles são iguais os filmes, só que mais assustadores e de verdade, eles se debatem, socavam os vidros dos carros, e quando entravam começam a morder as pessoas e depois de matá-las eles mastigavam sues pedaços. Foi horrível.

Zumbi. Era a primeira vez que eu tinha ouvido esse termo sendo assimilado as vitimas do possível organismo ou substancia que Taylor citou. Provavelmente para ela também.

A expressão de medo de Alissa era notada por todos ali, pois se alguma coisa a atacou com certeza não estava em seu estado normal. Ela já não conseguia ficar sentada, aos poucos ela foi escorregando e tombando para o lado quando voltou a ficar completamente esticada ao chão, com os olhos fundos e lagrimas começavam a escorrer.

Enquanto Paula a confortava, passando os dedos em seus cabelos que aos poucos deixam sua cabeça e encheram a mão da paramédica que não sabia o que dizer.

Olhando o estado que a pobre garota estava, Taylor fechou os olhos por um estante, mas mesmo q eu ela soubesse como é horrível saber que esta prestes a morrer ela encontra forças em seus conhecimentos e completa dizendo o que sabe:

-Tudo indica que o corpo do indivíduo contaminado apareceu na baia provavelmente boiando de algum lugar do pacifico ele chegou à praia e fez à primeira vitima. Aos poucos cada pessoa com contato é infectado diretamente, tendo uma morte quase instantânea em casso do mordida na região da jugular e indireta e caso de ferimentos secundários. E após a infecção dominar o sistema imunológico e levar a óbito, a mutação acontece e rapidamente e em questão de horas o infectado se torna igual aos demais, mesmo após perder completamente os batimentos cardíacos e aparente morte cerebral, inexplicavelmente eles se levantam, enxergam , sentem cheiro, e escutam sem falar da necessidade de se alimentar de forma canibal.

- É informações ate demais para mim – ironiza Alan.
Naquele momento já não tinha mais o que dizer, agora que todos estavam cientes da nossa situação, só tínhamos dois caminhos a seguir, desistir e prosseguir.
Naquele momento o silencio era tanto que facilmente se ouvia as gotas da chuva que começava a cair no telhado. Enquanto cada um deles tentava achar uma maneira de não entrar em desespero tentei mais uma vez contato com Brian, mas novamente o radio continuava mudo. Comecei a e preocupar de verdade àquela hora, conheço ele há anos desde os tempos de academia, no entanto partir para a CIA, enquanto Brian preferiu se aperfeiçoar na parte interna, com o passar dos anos, ele anão teria aquela agilidade com a arma, ma ainda continuava a ser um dos melhores atiradores que conheci, e espero muito que ele tenha um bom motivo para estar sem comunicação.

Fui contra nos dividirmos na rodovia aonde encontramos Alan, Bertha e Carlos, no entanto quando descobrimos os dois novos pontos e refugiados era a solução pois aquele que chegar primeiro em seu destino, ira avisar o outro grupo, assim pouparemos tempo mesmo que um de nos tenha q voltar, no entanto esse problema no motor do nosso veiculo acaba deixando ainda mais imprevista a situação.

Quando eu começava a pensar em possíveis soluções que Paula chama minha atenção.

- Não, acorde! Alissa! Alissa – gritou ela.

Quando todos os olhos se voltaram para Alissa, ela já não respirava, seus olhos estavam tão amarelos que quase não se via a real cor de seus olhos. Atenciosa ate o ultimo momento Paula com a ponta de seus dedos fecha os olhos da jovem garota que assim como o namorado que ela não pode reencontrar encontraram um fim trágico nessa guerra contra o desconhecido.

No entanto sem tempos para lamentar Alan repreende para que ela se afaste rapidamente do cadáver.

- Vamos saia de perto dela, não vai demorar muito e ela se transforme também.

Com os olhos cheios de lagrimas Paula se afasta, enquanto Bertha abraça seu filho e se retiram da garagem.

- Me de sua arma Henrique. A minha ira fazer barulho demais aqui dentro. – disse Alan seriamente.

Irritado com aquela ordem, a primeira coisa que me veio à cabeça foi dizer que eu poderia fazer aquilo, mas guardei para mim.

- Não se preocupe, eu posso fazer isso policial. – apenas retruquei

Alan me encarou rapidamente e colocando a mão sobre meu ombro e com o seu clássico tom baixo de voz disse:

- Eu sei disso, mas sei que você não quer fazer isso. Portanto, comece a procurar ferramentas para tentarmos arrumar o carro, se não acabaremos assim.

Sem dizer nada entreguei a arma e sai lentamente da sala em busca das ferramentas necessárias, pois na verdade realmente matá-la era a ultima coisa que eu iria querer.

Já do lado de fora, cada um procura algo para se fazer enquanto esperavam o que sabíamos que seria inevitável, Paula, tentava retirar biscoitos e salgados da maquina dentro do armazém da loja, Bertha e Taylor procuravam remédios e qualquer coisas que seja útil em uma viagem, enquanto eu e Carlos procuramos ferramentas e um macaco para o carro.

Mesmo sendo uma 9mm uma arma de teoricamente silenciosa. Mas naquela noite eu ouvi o som de seus disparos claramente e pela primeira vez em punho de outra pessoa.

Um agudo e abafado som, que re repetiu quatro vezes a exatamente 01h27.

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